sábado, 1 de novembro de 2008

De Pablo Neruda

Morre lentamente...
quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música,
quem destrói o seu amor próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente...
quem se transforma escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto,
quem não muda as marcas no supermercado, não arrisca vestir uma cor nova, não conversa com que não conhece.

Morre lentamente...
quem evita uma paixão,
quem prefere o "preto no branco" e os "pingos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente...
quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho;
quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho; 
quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos

Morre lentamente...
quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples ato de respirar... Estejamos vivo, então!


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