segunda-feira, 25 de maio de 2009

Mãos que oram por Albrecht Dürer


No século XV, em uma pequena aldeia perto de Nüremberg, vivia uma família com vários filhos. Para sustentar todos, o pai trabalhava cerca de 18 horas diárias nas minas de carvão.

Dois de seus filhos tinham um sonho: queriam se dedicar à pintura, mas sabiam que seu pai jamais poderia custear os estudo de ambos na conceituada escola de artes em Nuremberg. Por conta desta dificuldade financeira,  os dois irmãos decidiram tirar a sorte em um jogo de cara ou coroa cujo perdedor trabalharia nas minas de carvão para pagar os estudos do vencedor; e quando este último terminasse seus estudos, pagaria, com a venda de suas obras, os estudos daquele que ficara trabalhando nas minas. Assim, ambos poderiam se formar em Artes ao final.

A sorte foi lançada e Albrecht Dürer saiu vencedor. Sendo assim, iniciou ele o estudo de pintura em Nüremberg. E ao mesmo tempo, o outro irmão, Albert, começou o perigoso trabalho nas minas onde permaneceu pelos próximos quatro anos.

Após alguns anos, as gravuras de Albrecht e seus entalhes se tornaram famosas na Alemanha e quando se formou já havia acumulado um patrimônio razoável com as vendas de sua produção artística.

Mais tarde, o jovem artista regressou à sua aldeia para uma reunião de família em sua homenagem. Ao final da festa comemorativa, Albrecht se levantou e propôs um brinde ao seu irmão que havia se sacrificado nas minas de carvão para que ele pudesse estudar artes. E disse:

"-Agora, meu irmão, chegou a sua vez. Agora você vai estudar na mais renomada escola de Artes da Alemanha ,  enquanto eu ficarei responsável por todos os seus custos com a educação ". Nesse momento, todos dirigiram os seus olhares para o irmão que estava à mesa. Este, muito emocionado, se pôs de pé e disse suavemente:

"-Não, irmão, não posso ir a Nüremberg. É muito tarde para mim. Estes quatro anos de trabalho nas minas de carvão fizeram com que as minhas mãos ficassem deformadas; e ainda fraturei cada osso da mão pelo menos uma vez e a artrite em minha mão direita está tão avançada que mal consegui levantar o copo para o seu brinde. Não poderia desenhar delicadas linhas ou utilizar o compasso e , também, não poderia manejar a pena ,nem o pincel. Não, irmão, para mim já é tarde. Mas estou feliz que minhas mãos disformes tenham servido para o seu sucesso nas artes".

Para render homenagem ao sacrifício de seu irmão, Albrecht Dürer desenhou suas mãos maltratadas, com as palmas unidas e os dedos apontando para o céu. Chamou esta obra de simplesmente "MÃOS", que ,mais tarde, o mundo passou a chamar de: "Mãos que oram."

É importante lembrar que na vida,

...ninguém triunfa sozinho!

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